VOTO ABERTO NA ELEIÇÃO PARA PRESIDÊNCIA DO SENADO

VOTO ABERTO NA ELEIÇÃO PARA PRESIDÊNCIA DO SENADO

No início da sessão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou uma questão de ordem solicitando que a votação fosse aberta. Após polêmica perante a validade de se permitir uma votação aberta, o pedido foi aprovado por 50 votos a favor e 2 contra.

A sessão foi comandada pelo presidente interino da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pré-candidato ao cargo de forma permanente. A lista dos candidatos oficiais só será conhecida momentos antes da eleição para a presidência em si.

Parte dos senadores contrários ao voto aberto foi em direção à mesa, revoltados com a decisão de Alcolumbre de acolher a questão de ordem. Além de Randolfe Rodrigues, o voto aberto foi defendido por Lasier Martins (PSD-RS), Selma Arruda (PSL-MT), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Reguffe (sem partido-DF), entre outros. Eles alegaram que a população tem o direito de saber em que o parlamentar votou e o princípio da transparência nas ações tomadas em plenário.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) se manifestou contra a votação aberta e chamou-a de “casuísmo”, uma vez que a iniciativa não está prevista no regimento para a eleição da presidência do Senado.

Jader Barbalho (MDB-PA) afirmou que, caso a medida fosse aprovada, estaria “se abrindo um precedente seríssimo ao se alterar as regras do regimento na própria sessão”.

“Vamos agradar a quem? Seria a prevalência da minoria sobre a maioria”, disse Kátia Abreu (PDT-TO), ao acrescentar que o pedido de voto aberto seria uma “hipocrisia” e parte da oposição a Renan Calheiros (MDB-AL) queria ganhar a eleição “no tapete”. “Não é permitida questão de ordem, mudança de regimento”, falou sobre a sessão desta sexta.

Ela ainda subiu na mesa no plenário e gritou “se ele [Alcolumbre] pode presidir a sessão, eu também posso. Isso é um golpe aqui no Senado”. Em seguida, tirou papéis das mãos de Alcolumbre.

Ao defender o voto secreto, Renan Calheiros disse que Alcolumbre desmoralizava a Casa e chegou a citar Tancredo Neves em 1964 e disparou “canalhas! canalhas!” ao microfone.

Também se manifestaram contra o voto aberto Eduardo Braga (MDB-AM) e Humberto Costa (PT-PE). Durante a sessão, quando a votação para definir o formato estava em andamento, Costa gritou “vossa excelência está usurpando o poder da presidência do Senado”.

ENTENDA A POLÊMICA

A discussão para decidir se a votação para a escolha da Presidência do Senado será ou não secreta está relacionada com a candidatura do senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Parlamentares que apoiam o seu nome acreditam que, se a votação for secreta, como manda o Regimento Interno da casa, Renan tem mais chances de vencer a disputa.

Antes do início da sessão, no plenário, funcionários do Senado apostavam que, se a votação fosse aberta, Davi Alcolumbre seria o vitorioso no primeiro turno. Diversos senadores contra o voto explícito questionaram o interesse de Alcolumbre em presidir a sessão tendo intenção de se candidatar ao posto da presidência para suposto benefício próprio.

Por outro lado, os partidários das candidaturas contrárias à de Renan dizem acreditar que se a votação for nominal e aberta, menos parlamentares se sentirão dispostos a votar em Renan.

Redação com UOL

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