QUESTÃO DE HONRA: JAPONÊS QUE SOBREVIVEU AO NAUFRÁGIO DO TITANIC FOI ENVERGONHADO EM SEU PAÍS

QUESTÃO DE HONRA: JAPONÊS QUE SOBREVIVEU AO NAUFRÁGIO DO TITANIC FOI ENVERGONHADO EM SEU PAÍS

Masabumi Hosono, o único japonês na embarcação que partiu da Inglaterra e que teria os Estados Unidos como meta, aproveitou um dos espaços vagos e tratou de garantir sua sobrevivência.

Viajante da segunda classe, Masabumi tinha sido mandado para as partes inferiores do navio pelos tripulantes, que deveriam fazer o possível para salvar aqueles que viajavam nas classes mais caras.

Mas Masabumi não morreria daquela maneira indigna, tratado como um ser menor. Queria ao menos estar nos conveses superiores, se não seu fim “desgraçaria o povo japonês”, como relatou mais tarde. Em meio ao caos, a questão de honra que possibilitou que achasse uma brecha e pulasse em um dos botes.

“Espaço para mais dois”, gritou um dos oficiais que ajudavam passageiros a se arrumarem em botes salva-vidas enquanto o Titanic afundava.

 NAUFRÁGIO E A VERGONHA NACIONAL

Naquele momento, no entanto, desonrou uma das regras básicas de um naufrágio: mulheres e crianças primeiro. A perspectiva de nunca mais ver sua esposa e seus filhos e o exemplo de outros homens que já tomavam as seguras e raras embarcações enquanto moças e pequenos esperavam por uma oportunidade fez com que Masabumi não desperdiçasse sua última chance – percebera que o desejo de viver era maior do que tudo.

Ao chegar no Japão, pagou o preço pela escolha: por conta de toda a situação, sua sobrevivência foi considerada uma desgraça nacional. Perdeu o emprego que tinha no sistema ferroviário, foi criticado por jornais e passou a ser tratado como um exemplo de desonra em materiais escolares. O compatriota que sobreviveu enquanto tantos morriam que tomou um lugar que poderia ser dado a uma mulher ou uma criança, passava longe de representar os virtuosos valores da cultura japonesa.

Masabumi morreu em 1939, aos 68 anos – tinha 41 quando pulou no bote salva-vidas -, e somente na década de 90, após a tragédia virar filme, que tanto o governo japonês quanto a população local passaram a olhar para sua história de sobrevivência com olhos mais amigáveis.

 

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