REPRODUÇÃO PSL: BIVAR A PEDRA NO CAMINHO DE BOLSONARO

PSL: BIVAR A PEDRA NO CAMINHO DE BOLSONARO

É evidente o desconforto do presidente Jair Bolsonaro e seus aliados com a legenda que os elegeu, e existe uma possibilidade de deixar o PSL. Principalamente os novos detentores de mandatos que travam uma disputa com o deputado Luciano Bivar, dono da legenda há 20 anos.  

A raiz do problema está no fato de Bivar ter o controle total do partido. Sua liderança é questionada pela proximidade – no tempo da política – da eleição de 2020 e pelas finanças – ex-nanico, o PSL receberá um fundo partidário de cerca de R$ 100 milhões este ano. Os novatos querem mais acesso e Bivar nega.

A disputa de Bolsonaro e seus aliados é ingrata. Até mesmo o peso da Presidência de República pode ser insuficiente para obrigar Bivar a compartilhar poder. No PSL quem manda é Bivar. A estrutura partidária, com estatuto é refratária a mudanças.

Como todos os donos de partido, Bivar se mantém no comando desde 1998 porque o PSL tem um estatuto que concentra o poder de decisão no presidente, concede poucos poderes a outras instâncias e torna quase impossível a alternância de poder. Como o PSL sempre foi um partido pequeno e sem dinheiro, ninguém ligava.

Os postos no Diretório Nacional são ocupados por integrantes fieis a Bivar. Na Executiva Nacional, os cargos dos filhos de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (secretário de formação política) e o deputado Eduardo Bolsonaro (secretário de assuntos parlamentares) não dão direito a voto.

Bivar tem controle sobre as principais decisões, especialmente a distribuição do fundo partidário. Assim, não abre mão de chancelar os nomes dos candidatos a prefeito na eleição do ano que vem. Bolsonaro e seus aliados, por sua vez, querem dar seu aval nesta seara. Mas estão impedidos.

Há meses Bolsonaro e os seus fazem movimentos e vazam informações ao público para pressionar Bivar e preparar o terreno para um eventual desembarque. Muito antes da canelada direta ao dizer na terça-feira que Bivar está “queimado”, Bolsonaro tomou atitudes mais discretas.

O presidente conversou com Adilson Barroso, presidente do Patriotas, sobre a possibilidade de trocar de partido. Seus aliados expuseram a possibilidade – mais remota – de ingressar em um novo partido, algo que levaria mais tempo.

Desde setembro, deputados de uma ala dita ideológica, encabeçados por Bia Kicis (PSL-DF) e Bibo Nunes (PSL-RS), tentam arregimentar colegas de sigla num movimento para diminuir o poder de influência de Bivar na Executiva Nacional em favor de Bolsonaro. Organizaram um abaixo assinado requerendo uma reunião extraordinária da instância, para tentar alterar itens do estatuto.

Bia Kicis usou o nome de Bolsonaro para colher algumas assinaturas, mas a iniciativa não prosperou. Isso criou um princípio de mal-estar entre ela e Soraya Thronicke (PSL-MT), quando a senadora descobriu que Bolsonaro não tinha liberado a iniciativa. “O presidente tem visto que o partido não tem comando. E isso vai acabar com o PSL”, resume o deputado Bibo Nunes.

Para mudar o estatuto do PSL é preciso convencer a maioria absoluta dos membros do diretório nacional. Mas 65 dos 100 integrantes ativos são filiados de Pernambuco – ou seja, são aliados de Bivar.

A ala ideológica pretende intensificar ações que possam embaraçar politicamente o presidente nacional d o PSL. Do outro lado, no entanto, os deputados mais alinhados ao pernambucano começaram um movimento contrário, inclusive com ataques a Bolsonaro. O líder do partido na Câmara, deputado Delegado Waldir, chegou a aludir a suspeitas de corrupção sobre o senador Flávio Bolsonaro.

Os bolsonaristas não são os primeiros a tentar forçar Bivar a dividir o poder no PSL. Em 2017, o Livres, movimento de renovação na política, entrou na sigla com a proposta de defender um programa liberal. Quando a tropa de Bolsonaro chegou, 14 diretórios estaduais estavam sob controle do Livres. O movimento para controlar o partido, no entanto, não avançou.

Em sua trajetória, o presidente Jair Bolsonaro trocou de partido sem constrangimentos. Em seu primeiro ano de mandato e pela forma como faz política, não há obstáculo para uma nova mudança. O risco da migração existe para os deputados, que podem perder seus mandatos e abrir mão de estar na segunda legenda que tem o maior fundo partidário.

Redação com Vortex

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