“Não tinha como saber com quem ele falava”, diz pai de pelotense suspeito de envolvimento com o EI

“Não tinha como saber com quem ele falava”, diz pai de pelotense suspeito de envolvimento com o EI

Caminhoneiro de 57 anos diz que filho acessava muito a internet pelo celular

 

ie materiaUm jovem de 26 anos, natural de Pelotas, foi preso nesta quinta-feira (21) na Zona Rural de Morro Redondo por agentes da Polícia Federal (PF). Ele é suspeito de envolvimento com grupo terrorista ligado ao Estado Islâmico (EI). Ele e a família moravam há um mês e três dias na localidade conhecida como Açoita Cavalo. Antes, o suspeito vivia com os pais e o irmão na Gotuzzo, Fragata. A prisão ocorreu durante operação Hashtag, deflagrada pela PF em dez Estados, para desarticular grupo que estaria planejando ataque terrorista durante as Olimpíadas Rio 2016. No RS, apenas o jovem preso em Morro Redondo foi alvo da operação. Seu destino é o Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul (MS).

O suspeito é descrito pelo pai – caminhoneiro de 57 anos que preferiu não se identificar – como rapaz tranquilo, com fé em Deus e ligado à família. Segundo ele, o filho estava sempre na volta de casa, ajudando os familiares. “Ele nunca apresentou comportamento diferente. Sempre meu amigo, companheiro da mãe dele, carinhoso com o irmão e o avô”, disse. Conforme o motorista, o rapaz não tinha namorada e usava muito a internet via celular. “Eu não tinha como saber o que ele estava fazendo ou com quem estava falando pelas redes sociais. Não digo que ele foi ingênuo de se relacionar com essas pessoas, foi uma escolha infeliz dele. Meu filho não é criminoso”, desabafou. “Sempre ensinei para ele o bem, os bons modos. Como trabalhador, tentei dar exemplo de honestidade e bondade”, lamentou.

Segundo o pai do suspeito, agentes da Polícia Federal chegaram à sua propriedade por volta das 5h. Os policiais apresentaram mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça e perguntaram ao jovem onde estariam os explosivos e armamento. “Não estava entendendo o que era aquela ação dentro da minha casa. Policiais fortemente armados dizendo que meu filho tem envolvimento com grupo terrorista. Fiquei desesperado, sem saber o que fazer”, lembrou.

Após a prisão, o rapaz foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Pelotas, em seguida ao Aeroporto Internacional Simões Lopes Neto onde, sob custódia de dois agentes federais, embarcou em um voo comercial com destino a Porto Alegre. De lá, seguiu para o Aeroporto Internacional de Brasília. Da capital federal, o suspeito foi encaminhado à Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande. “Dói pensar que meu filho pode ficar junto com traficantes perigosos. Eu não sei aonde ele anda. Ninguém entrou em contato comigo para dizer se ele chegou ou não. A gente, que não tem muito estudo, não sabe o que fazer ou com quem falar numa hora dessas”, lamentou.

Investigação
A Polícia Federal monitorou desde abril, quando as investigações começaram, mensagens trocadas pelo grupo em aplicativos para celular como Telegram e WhatsApp. O conteúdo flagrado envolvia ações como início de treinamento de artes marciais e o contato com um site para compra clandestina de armas no Paraguai. O grupo, conforme a PF, estaria negociando um fuzil. De acordo com a PF, os envolvidos participavam de um grupo virtual denominado Defensores de Sharia.

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse nesta quinta em coletiva de imprensa que parte dos dez brasileiros presos nesta quinta-feira, após trocar mensagens preparatórias sobre a realização de atentado terrorista no Brasil, fez, via internet, um juramento de lealdade ao Estado Islâmico (EI).

Conforme o ministro, trata-se de um grupo amador que, no entanto, não pode ser ignorado pelas forças de segurança pública. “Era uma célula amadora, sem nenhum preparo planejado. Uma célula organizada não tentaria comprar uma arma pela internet. É uma célula desorganizada”, acrescentou.

Moraes informou que, além do juramento pela internet, conhecido como “batismo”, não houve contato direto dos brasileiros com militantes do Estado Islâmico por e-mail ou pessoalmente. Também não há indícios de que eram financiados pelo grupo terrorista.

Polícia Federal
Em nota, a PF informou que cerca de 130 policiais participaram da ação. Além do Rio Grande do Sul, com o caso do rapaz preso no Morro Redondo, os mandados foram cumpridos nos estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Mato Grosso.

Além das dez prisões temporárias, duas conduções coercitivas e 19 buscas e apreensões. Uma ONG com atuação na área humanitária e educacional também é investigada por participação no caso. Segundo a PF, esta é a primeira operação policial após a publicação da Lei 13.260/2016, que trata de terrorismo.

Segundo o juiz Marcos Josegrei da Silva, titular da 14ª Vara Federal de Curitiba (PR), que autorizou as prisões, todos os investigados não são de origem árabe, Eles vão responder por crimes de promoção de organização terrorista e realização de atos preparatórios de terrorismo. A pena para o primeiro crime é de cinco a oito anos de prisão, além do pagamento de multa. Para quem executa atos preparatórios, a pena varia de três a 15 anos de prisão.

Michel Temer
O presidente interino Michel Temer foi informado na quarta-feira da operação da Polícia Federal. Na manhã desta quinta ele se reuniu no Palácio do Planalto com os ministros da Justiça, Alexandre de Moraes; do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen; e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra; para acompanhar a operação antiterrorista, com cooperação de diversas agências internacionais de inteligência.

fonte:diariopopular/pelotas

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