Mato Grosso já registrou quase dois mil casos de hanseníase em 2019

Mato Grosso já registrou quase dois mil casos de hanseníase em 2019

Só este ano, até o final do primeiro semestre, já foram registrados 1.849 casos novos

Com um histórico de elevado número de casos de hanseníase, o estado do Mato Grosso enfrenta o desafio de controlar a doença também em 2019. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, só este ano, até o final do primeiro semestre, já foram registrados 1.849 casos novos. A cidade de Sinop é a que apresenta a situação mais grave, com 323 detecções da doença. A capital Cuiabá é a segunda com a maior quantidade de registros, com 118 ao todo. Mas essas não são exclusividades. Juína, Peixoto de Azevedo e Sorriso também já registraram mais de 100 casos, cada um, só neste ano.

E é de olho nesse cenário que as autoridades de saúde locais, por meio do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, decidiu descentralizar o atendimento aos pacientes e implementar Ambulatórios de Atenção Especializada em Hanseníase. Elas estão espalhadas em seis unidades: em Juína, Alta Floresta, Barra do Garças, Juara, Tangará da Serra e Várzea Grande. A ideia é que o número de cidades atendidas suba para 16 até o fim de 2020. Com diagnóstico precoce e tratamento oportuno, é possível evitar lesões mais graves da doença, as incapacidades físicas e que o ciclo de transmissão se mantenha.

No Mato Grosso, segundo dados da própria Secretaria de Saúde, o índice de detecção e o número de casos são elevados. No ano passado, a taxa de detecção geral da doença no estado foi de 138,30 por cada 100 mil habitantes, com 4.678 casos novos diagnosticados, sendo 195 em pessoas com menos de 15 anos.

A hanseníase é uma doença que desafia questões que vão além do tratamento puro e simples de cada paciente. Garantir esse tratamento oportunamente e, durante esse processo, ofertar à pessoa acometida e seus familiares com informações que contribuam no enfrentamento do estigma e discriminação são alguns pontos chaves nesse processo.
 
Segundo o coordenador do Programa Estadual de Enfrentamento da Hanseníase em Mato Grosso, Cícero Fraga, é raro que uma pessoa seja infectada duas vezes pela bactéria, mas ressalta que o tratamento é eficaz em qualquer ocasião.

“Uma vez iniciado o tratamento, logo após os primeiros dias a doença deixa de ser transmitida. Porém, o paciente ainda não está curado. O tratamento dele vai durar durante doze meses, normalmente. Então, a recomendação que a gente passa para a população é que uma vez identificado os sinais e sintomas da doença, procure o serviço de saúde para avaliação”.

No Mato Grosso, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a  proporção atual de abandono do tratamento é de 8,2%. Isso é muito preocupante, pois, além do doente não ser curado, podendo ter incapacidades físicas com o tratamento tardio, também deixa em aberto a possibilidade de manutenção do ciclo de transmissão da doença. É importante destacar que a transmissão da hanseníase acontece por meio das vias áreas respiratórias (tosse ou espirro), com o convívio próximo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento.
 
Ao surgimento de qualquer mancha em que você perceba a perda ou diminuição da sensibilidade ao toque, calor ou frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menores as chances de sequelas. A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. Por isso, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações, acesse:saude.gov.br/hanseníase.

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