Caso Rosemeire Soares Perin:Polícia Civil esclarece desaparecimento e homicídio, dois suspeitos estão presos.

Caso Rosemeire Soares Perin:Polícia Civil esclarece desaparecimento e homicídio, dois suspeitos estão presos.

Justiça converte em preventiva a prisão dos assassinos de empresária.

Uma dívida de pouco mais de R$ 1.250 foi apontada pela Polícia Civil como a motivação para o homicídio cometido contra a empresária Rosemeire Soares Perin, 52 anos, que estava desaparecida há dois dias, em Cuiabá. O corpo foi localizado na quinta-feira (18), em uma estrada de acesso ao distrito de Passagem da Conceição, em Várzea Grande. Duas pessoas foram autuadas em flagrante pelo crime, um deles o suspeito que confessou o homicídio em depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Capital, unidade responsável pela investigação.

As circunstâncias e motivação do crime foram apuradas pela equipe da delegacia especializada e informadas à imprensa nesta sexta-feira (19), durante coletiva com os delegados Fausto Freitas, titular da DHPP e Marcel Oliveira. A investigação sobre o homicídio qualificado e ocultação de cadáver, entre outros crimes conexos, segue com diligências para apurar informações necessárias ao inquérito policial que será presidido pelo delegado Caio Fernando Albuquerque.

Responsável pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas da DHPP, o delegado Fausto Freitas informou que a equipe da delegacia trabalhou a partir do registro da ocorrência de desaparecimento da empresária para esclarecer o que ocorreu com a vítima desde que ela saiu de casa para trabalhar, em seu veículo, um HB20, na terça-feira (16), do bairro Dr. Fábio, na Capital, e não deu mais notícias aos familiares.

A equipe do NPD realizou diligências, ouviu familiares e levantou informações. Na quinta-feira à tarde, a delegacia recebeu informação de que o corpo da empresária foi encontrado próximo a um barranco, na estrada da Guarita, em Várzea Grande.

Cobrança de dívida

Rosemeire trabalhava há mais de 10 anos com a venda de produtos e embalagens para festas, máquina de sorvetes e outros equipamentos do ramo. Na terça-feira, ela foi até Várzea Grande para entregar um produto que o autor do homicídio havia adquirido e cobrar uma dívida. A vítima já tinha uma relação de comerciante e cliente com o suspeito, cuja família trabalhava há dez anos com a venda de sorvetes. E recentemente ele decidiu voltar a trabalhar com sorvetes.

O delegado Marcel Oliveira explicou que em março de 2020, o suspeito comprou uma máquina de sorvete de Rosemeire no valor de R$ 7 mil, que posteriormente apresentou problema e precisou passar por manutenção, que ela mesma realizou. Do valor da manutenção da máquina, com a qual vendia sorvete em um supermercado, ele ficou devendo uma parte, e depois comprou mais um equipamento, um batedor de milk shake, e embalagens.

A empresária então foi até à quitinete do suspeito mora, no Jardim Paula I, em Várzea Grande, para fazer o teste do batedor adquirido por ele e cobrou os valores devidos. O suspeito não gostou de ser cobrado e deu um golpe que a deixou desacordada, amarrou a vítima com fita adesiva e a amordaçou. Passado um tempo, ela despertou e, segundo o suspeito declarou, em um momento de suposto desespero por receio de retornar ao regime fechado (cumpria medida cautelar da Justiça no regime semiaberto), ele pegou uma faca de cozinha e golpeou o pescoço da vítima.

Depois de cometer o crime dentro do quarto, conforme apontou levantamento da Perícia Oficial, o suspeito procurou um parente e pediu ajuda, mas não conseguiu. A Polícia Civil apurou que esse familiar sequer sabia o que havia ocorrido.

Ocultação do corpo

O autor confesso do crime procurou então a ajuda de outra pessoa, com quem já havia trabalhado em um lava-jato, para ocultar o corpo de Rosemeire. Por volta das 22h do dia da terça-feira, eles voltaram à quitinete, enrolaram o corpo em um lençol, uma lona e um edredom, e depois seguiram até a região da estrada da Guarita, onde jogaram o cadáver em um barranco.

Conforme o delegado Marcel, após cometer o crime, o autor do homicídio se apossou do carro da vítima.

Em diligências na quinta-feira, uma equipe da do Batalhão da Rotam abordou o veículo, que era conduzido pelo suspeito. Com ele estava também a carteira de habilitação da vítima. Conduzido à DHPP, em um primeiro depoimento ele deu informações contraditórias e negou. Depois, acabou confessando o que acreditou que seria um crime ‘perfeito’ e informou que recebeu ajuda de uma segunda pessoa.

Com a localização do corpo e a condução do suspeito, as equipes da DHPP continuaram com as diligências para apurar mais informações que levassem ao esclarecimento das circunstâncias e motivo do crime.

O segundo suspeito, que deu apoio para o transporte e ocultação do corpo, foi detido ainda na quinta-feira também por uma equipe da Rotam. Na delegacia, ele negou que tivesse cometido o crime, inclusive o tráfico de drogas pelo qual foi detido também em flagrante, e que não teve qualquer participação na ocultação do corpo de Rosemeire.

A DHPP apurou que o segundo suspeito era conhecido do autor do homicídio e de quem teria supostamente recebido promessa de vantagem para ajudar a esconder o cadáver. No carro dele foram localizados pacotes de cal, que alegou que usaria na pintura do lava-jato.

Evidências

Uma equipe de peritos da Politec acompanhou todos os procedimentos no local onde foi encontrado o corpo e na coleta de evidências na quitinete onde a vítima foi morta. “A perícia realizada na residência reuniu provas irrefutáveis para o inquérito, além de outros indícios coletados durante as diligências. A cena de crime estava em detalhes”, informou Marcel.  

O perito Daniel Soares explicou que na quitinete, um ambiente com peças contíguas, foram encontrados vestígios materiais nas paredes do quarto, porta de entrada, além de manchas em outros locais. A aplicação do luminol mostrou a presença de sangue humano em todos os ambientes, indicando que o corpo da vítima foi arrastado.

Foram coletadas amostras na faca usada e também no suspeito para realização de exame de confronto de DNA. A apuração levantou ainda que a vítima foi morta entre 15 e 7h da terça-feira, pois até o meio da tarde ainda manteve contato com a família.

O delegado esclareceu ainda que as evidências coletadas não apontam para o cometimento de crime sexual contra a vítima. “Essa suspeita surgiu, inicialmente, em decorrência do histórico do suspeito, mas não há indícios de prática sexual. Porém, diante dos padrões de investigação adotados, sempre solicitamos todos os exames periciais”.

Ainda serão apuradas pela DHPP outras informações necessárias ao esclarecimento do crime e os celulares apreendidos serão periciados.

O autor do crime foi autuado em flagrante pelo crime de ocultação de cadáver e homicídio qualificado (motivo torpe, impossibilidade de defesa, asfixia e tortura e meio cruel), além de furto qualificado (se apossou do carro da vítima). Outros crimes conexos podem surgir no decorrer do inquérito.

Já o segundo homem preso foi autuado em flagrante por tráfico de drogas, resistência e ocultação de cadáver. A DHPP representará pela conversão do flagrante de ambos em prisão preventiva.

Os dois foram encaminhados à unidade prisional do Capão Grande.

A prisão temporária de Jefferson Rodrigues da Silva, de 33 anos e Pedro Paulo de Arruda, de 29, foi convertida em prisão preventiva pelo juiz Abel Balbino Guimaraes, da 4ª Vara Criminal de Várzea Grande. A audiência foi realizada no final da tarde deste sábado (20).

A dupla é responsável pelo assassinato da empresária e Rosimeire Soares Peri, de 56 anos, e foi recebida pelo magistrado que decretou a prisão preventiva pelo crime em audiência de custódia. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) não divulgou detalhes da decisão.

PJC-MT

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