Carrefour esteve envolvido em pelo menos sete casos de violência

Carrefour esteve envolvido em pelo menos sete casos de violência

Um levantamento feito pelo advogado defensor de Direitos Humanos Jeff Nascimento mostra que a rede de supermercados Carrefour teve pelo menos cinco casos de racismo e duas mortes em suas dependências nos últimos anos — além de um caso envolvendo maus-tratos a animais. Nesta quinta-feira, 19, véspera do Dia da Consciência Negra, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, morreu após ser espancado dentro de uma das unidades da rede, no bairro Passo D’Areia, na zona norte de Porto Alegre. As imagens, que viralizaram nas redes sociais, mostram João Alberto levando socos e chutes de dois homens brancos que vestiam uma roupa preta e pertenciam a equipe de segurança do local. Ao lado dos dois, uma mulher acompanhava o espancamento e filmava. Os dois seguranças foram presos pela Brigada Militar – um dos envolvidos era um PM temporário.

Ainda na madrugada desta sexta-feira, 20, a rede de supermercados se posicionou por meio de nota informando que a loja onde aconteceu o caso será fechada e a empresa responsável pela segurança terá o contrato rompido. “O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada”.

Racismo em Osasco

O caso mais antigo é de 2009, quando o vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, foi confundido com um ladrão pelos seguranças, que o agrediram e o acusaram de “roubar” seu próprio carro, um EcoSport, na unidade de Osasco do Carrefour. Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, houve protestos, e os manifestantes levaram uma faixa de cerca de 30 metros com os dizeres: “Onde estão os negros?” Depois do caso, o Carrefour decidiu afastar a empresa Nacional de Segurança Ltda., que prestava serviços em algumas lojas de São Paulo e o gerente da unidade de Osasco.

Racismo em São Bernardo do Campo

Em 2018, o cliente Luís Carlos Gomes, que é negro e deficiente físico, tomou uma lata de cerveja dentro de uma das lojas do Carrefour e alegou que pagaria pelo item, mas antes disso foi perseguido pelo gerente da unidade e por um segurança, encurralado no banheiro e recebeu um mata-leão na esteira rolante do supermercado. De acordo com reportagem do portal G1, ele acusou o Carrefour de racismo e discriminação, e pediu uma indenização de R$ 200 mil. O caso aconteceu em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e o Carrefour afirmou, em nota, que “sentia profundamente pela situação” e que, logo após rigorosa apuração, “os colaboradores envolvidos foram desligados”. Após acordo extra-judicial, o hipermercado indenizou o vigilante.

Morte de funcionário

Uma unidade da rede Carrefour, que fica no bairro Torre, em Recife, Pernambucomanteve a loja aberta e em funcionamento após o óbito de um colaborador dentro do estabelecimento. O homem, identificado pela própria rede como Moisés Santos, sofreu um infarto e morreu em 14 de agosto deste ano. De acordo com informações, o óbito aconteceu por volta das 8 horas da manhã — mas o corpo só foi retirado do local às 11h, após chegada de uma equipe do Instituto Médico Legal (IML). Enquanto isso, funcionários bloquearam o acesso ao corpo com caixas, tapumes e guarda-sóis. A imagem foi compartilhada em redes sociais após ser postada em um grupo de promotores de venda no Facebook. No Twitter, a franquia reconheceu que não fechou a loja e disse que vai revisar protocolos determinando o encerramento das atividades em casos semelhantes.

Racismo em Sorocaba

Outra situação de racismo aconteceu na unidade de Sorocaba, em 2017. O químico Marcos Leandro dos Santos foi humilhado por guardas na frente de dezenas de clientes da loja. Segundo Marcos relatou ao site O Vermelho, ele foi impedido de caminhar pelas dependências do Carrefour. Ao perguntar o por quê, ouviu a seguinte resposta: “Por causa da sua cor e porque você está de camiseta, chinelo e bermuda. Os clientes não vão gostar. Saia daqui”.  Imediatamente o segurança chamou um colega, que chegou de moto, para retirá-lo do estacionamento. O caso foi registrado como injúria racial.

Funcionária demitida

A auxiliar de cozinha do Hipermercado Atacadão, que pertence ao Carrefour, na Zona Oeste do Rio, foi demitida após denunciar racismo e intolerância religiosa cometida por outro funcionário. Segundo reportagem da GloboNews, ela entrou com um processo no Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o estabelecimento após ter sido desligada por ter “se envolvido em situações de conflito com outros funcionários”. Nataly afirmou que logo que começou a trabalhar no local passou a conviver com a discriminação de um colega. Segundo o MPT, a funcionária foi surpreendida com a frase “só para branco usar” em seu avental. A mensagem foi assinada e escrita por Jeferson Emanuel Nascimento, que assumiu o crime. De acordo com documentos internos do próprio mercado, o funcionário já havia sido acusado de racismo e agressão contra outra colega de trabalho na mesma unidade. Posteriormente, ele foi demitido. Porém, segundo o MPT, isso só ocorreu após o início da investigação do caso por promotores. Na ação contra o hipermercado, o Ministério Público quer o pagamento de uma indenização de até 50 milhões de reais por dano moral coletivo, além da recontratação da vítima.

Caso do cachorro Manchinha

Outro caso ocorrido nas dependências do Carrefour que gerou comoção popular foi a morte do cachorro Manchinha. Um segurança terceirizado da rede foi acusado de agredir brutalmente e em seguida envenenar o cachorro de rua que circulava pelo estacionamento do local em Osasco. O caso ocorreu no dia 28 de novembro. De acordo com denúncia feita pelas redes sociais, o homem partiu para as agressões a pedido de seus superiores. Em 2019, o Ministério Público de São Paulo firmou um Termo de Compromisso com o Carrefour e o município de Osasco por conta dos maus-tratos cometidos pelo segurança. Pelos termos do acordo, o Carrefour assumiu a obrigação de depositar R$ 1 milhão em um fundo cujo montante será destinado a ações de proteção animal.

Redação com Jovem Pan

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